quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O seu, o meu, o nosso "rolezinho"

TEXTO 1
O SEU, O MEU, O NOSSO "ROLEZINHO"

1          Os "rolezinhos" tornaram-se o assunto deste verão. Os encontros de um número expressivo de jovens em shoppings de São Paulo são considerados por muitos como uma espécie de continuação das manifestações de desencanto e indignação de junho passado.
Há, de fato, aspectos em comum. Como as passeatas a céu aberto contra a péssima gestão do Estado brasileiro, os "rolezinhos" reúnem participantes que marcam o encontro previamente pelas redes sociais.
 6         Em ambos, grupos oportunistas de vários matizes ideológicos procuram pegar carona na notoriedade desses movimentos.
            No caso dos "rolezinhos", comerciantes e frequentadores dos shoppings e, depois, a sociedade foram pegos de surpresa. Pois, assim como as manifestações de inverno, a moda do verão surgiu inesperadamente e se tornou o tema predominante das últimas semanas.
 11       Mas há diferenças que não podem ser desprezadas. O rastilho de pólvora das manifestações foi o aumento do preço do transporte urbano e, depois, o movimento ganhou corpo com outras reclamações difusas. Não há, no caso atual, um discurso unificado de reivindicações. Não há nem sequer uma reivindicação expressamente declarada.
 15       Recentemente, jovens marcaram um "rolê" em Itaquera a pretexto de diversão. Houve reação dos proprietários de shoppings e das autoridades. Isso acendeu o debate com vezos políticos e ideológicos.
Muitos a favor, muitos contra. A sensação que fica é que apoiar os "rolês" é de esquerda e condená-los é de direita. Isso é ridículo, pois interdita o debate, não traz solução.
 19       Aliás, é o que vem ocorrendo em diversas frentes: o debate morre, reduzido a ideologia de almanaque ou a meras disputas entre quem é o "bonzinho" e quem é o "mauzinho".
Não faz sentido ideologizar ou politizar os "rolezinhos". Ser ou não ser politicamente correto não é nem deve ser a questão. O que temos de defender é a integridade física das pessoas que frequentam locais públicos ou privados de uso coletivo.
 24       Também não se pode deixar de lado evidências como o fato de que grupos de mil jovens ou mais (independentemente da classe social, credo ou bairro) em espaços inadequados podem provocar se não depredações e agressões, como já ocorreu, sustos, correrias e atropelos.
            A sociedade demanda códigos e padrões de comportamento para que os direitos de todos sejam assegurados. Da mesma forma que não se deve andar de skate em hospitais nem conversar durante um espetáculo, não é aceitável superlotar casas de eventos para não se repetirem tragédias como a da boate Kiss. Em recintos fechados, não é razoável dar margem a tumultos que ponham em risco a segurança das pessoas.
 32       A liberdade de marcar encontros pela internet é uma novidade que demanda cuidados. Uma chamada pode reunir 20 ou 20 mil pessoas. Como controlar uma multidão sem um mínimo de planejamento e organização? Em São Paulo, qualquer evento que reúna determinada quantidade de pessoas, por lei, exige ação da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), do Corpo de Bombeiros, do Samu (Serviço Atendimento Médico de Urgência) e da Polícia Militar.
 37       Eventos sem as medidas de cautela necessárias podem provocar desastres. Como esvaziar um shopping lotado em caso de incêndio? Em caso de tumulto, como evitar acidentes com pessoas mais velhas ou com alguma deficiência? Como proteger as crianças? Como prevenção, é preciso, com bom senso, coibir aglomerações e correrias em qualquer local sem a estrutura necessária.Ou seja: seu "rolezinho" termina onde começa o do outro, pois a liberdade de cada cidadão é delimitada pela dos demais.

ANDREA MATARAZZO é vereador (PSDB-SP). Foi secretário municipal de Serviços e de Subprefeituras (gestão José Serra/Gilberto Kassab) e secretário estadual da Cultura (gestão Geraldo Alckmin) de SP


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/01/1399085-rolezinhos-em-shoppings-devem-ser-coibidos-sim.shtml. Acesso em 24 de jan. 2014.



Vocabulário

1. Matiz: variedade de detalhes, de aspectos sentidos.
2. Vezo: Costume, hábito.
3. Notoriedade: condição de quem ou do que é de conhecimento público.
4. Rastilho: rasto, pista, pegada; aquilo que constitui a causa, a origem de evento de forte repercussão social e política.



Com Base no texto de Andrea Matarazzo, responda:

1-Quais são os aspectos comuns entre os rolezinhos e as manifestações de junho/2013?


2-Quais são as diferenças entre os rolezinhos e as manifestações de junho/2013?

Leia as definições abaixo:

Almanaque:  Folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc.

Ideologia: é um termo que possui diferentes significados. No senso comum significa ideal, e contém um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas ou divisões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas.

3- Com base no texto e nas definições acima, responda o que a expressão em destaque significa:
“Aliás, é o que vem ocorrendo em diversas frentes: o debate morre, reduzido a ideologia de almanaque ou a meras disputas entre quem é o "bonzinho" e quem é o "mauzinho.” l. 19

4- Qual é o ponto de vista do autor sobre os rolezinhos? (Ele é contra? Ele é favorável?)

5- Retire do texto um trecho que comprove sua resposta na questão anterior?

6- Andrea Matarazzo  defende seu ponto de vista em relação aos rolezinhos, para isso ele argumenta e, para cada argumento exposto o deputado faz a justificativa, para convencer os leitores do jornal a aderirem a seu ponto de vista. Localize no texto a justificativa dada por ele para:

a) Não está em questão se o rolezinho é ou não politicamente correto:
b) Para um número grande de jovens é preciso de espaços adequados:
c) É preciso assegurar o direito de todos:
d) Para eventos grandes é preciso organização:

7- A que conclusão chegou Andrea no final de seu artigo sobre os rolezinhos?

Gabarito  
1. O que há em comum é que entre  os dois grupos é a reunião de  participantes que marcam os encontro previamente pelas redes sociais e inesperadamente se tornou o tema predominante das últimas semanas, também em ambos há grupos oportunistas de vários matizes  (aspectos) ideológicos procuram pegar carona na notoriedade desses movimentos.

2. Diferente das manifestações de junho não há reivindicações expressamente declaradas.

3.  se ideologia  é um conjunto de ideias , pensamentos. Dizer que o debate morre, reduzido “ideologia de almanaque”  é dizer que algo que deveria ser debatido, do qual deveria surgir ideias, só repete ideias encontradas em almanaques, sem profundidade.

4. Ele é contra.

5. São várias, qualquer um dos argumentos:

“O que temos de defender é a integridade física das pessoas que frequentam locais públicos ou privados de uso coletivo”

“A sociedade demanda códigos e padrões de comportamento para que os direitos de todos sejam assegurados.”

“Eventos sem as medidas de cautela necessárias podem provocar desastres”

6.
a. Neste parágrafo o autor argumenta que antes de pensarmos em politizar e ideologizar os rolezinho precisamos pensar na segurança das pessoas.

b. Neste parágrafo o autor usa como argumento que um evento com mais de mil jovens independente  da classe social, credo ou bairro podem ocorrer sustos e depredações.

c. Neste parágrafo o autor usa como argumento que os direitos de todos devem ser preservados, não apenas o de um grupo, e usa também o exemplo da boate kiss onde um número grande de jovens morreram, pela dificuldade em evacuar um lugar muito cheio e despreparado.

d. Neste parágrafo o autor usa como argumento novamente a questão da segurança que necessária em um evento com tantas pessoas.

7.  O autor conclui que  eventos  com muitas pessoas precisam de medidas para evitar acidentes e também retoma a necessidade de respeitar o direito de todos, a necessidade de dar o seu rolex=zinho , respeitando o direito do rolezinho do outro,


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