terça-feira, 22 de abril de 2014

Textos que serão trabalhados em aulas sobre redes sociais, não usar para trabalhos


As mídias digitais vão, aos poucos, se consolidando como um meio eficiente no processo ensino-aprendizagem, tornando a prática pedagógica muito mais dinâmica e interessante. Ao longo dos últimos anos, os especialistas são unânimes em afirmar que tão importante quanto ler e escrever é alfabetizar as crianças nas mídias digitais.
Isso significa que o uso adequado dessas ferramentas não só incentiva a reflexão sobre as produções das mídias, como também confere a garantia dos direitos da infância e juventude e protege os pequenos das ameaças virtuais.
Mas será que a escola e a sociedade têm cumprindo com o papel de desenvolver nos jovens essas habilidades? Para Joana Peixoto, doutora em Ciências da Educação pela Universidade Paris, com especialização em Informática e Educa­ção, é necessário um empenho maior no sentido de integrar o uso das mídias aos objetivos pedagógicos. “Isso é feito, mas de forma muito tímida.”
Na opinião de Joana, os projetos escolares   não priorizam o desenvolvimento das funções mentais e ainda estão centrados no modelo tradicional de conteúdo, baseado na repetição e no armazenamento, ao invés de promover o pensamento auto-crítico.
Ela propõe que as mídias estejam inseridas dentro de uma concepção que priorize o preparo do aluno para o mundo contemporâneo, deixando de colocá-lo à mercê do comodismo e do consumismo.
A especialista ressalta também que a utilização adequada e planejada das mídias contribui qualitativa e quantitativamente para o processo ensino-aprendizagem, tornando as aulas mais participativas e envolventes.
Com uma opinião um pouco mais pessimista, o especialista em Marketing, Comunicação e Mídia Digital, Leonardo Diogo Silva enfatiza que a alfabetização para as mídias digitais e temas relacionados à tecnologia ainda tem sido pouco explorada. Para ele, o essencial é expandir esse trabalho.
            Leonardo destaca também que atualmente tem sido feito muitos incentivos na aquisição de equipamentos, mas poucos na capacitação dos professores. “Não existe ainda um trabalho de formação e tão pouco materiais que preparem o professor sobre como orientar o seu aluno com as mídias. O educador só lida com isso em cursos avançados. Existe uma tentativa de conscientizar os educadores com vários debates, porém com pouca ação”, declara.
            A promoção de disciplinas focadas em como se comunicar com as plataformas midiáticas e sua criação de modo colaborativo é uma das sugestões do publicitário. Para ele, esse é um ca­minho inevitável e o professor tem que mostrar o que é possível fazer, de fa­to, com todas as opções digitais. “Tem que educar para utilizar, não para reprimir. Note que não se trata de informatizar o ensino, mas de desenvolver processos de ensino que facilitem a compreensão do aluno.”
Para tanto, segundo ele, uma das exigências fundamentais é ter um professor que esteja preparado para utilizar pedagogicamente as mídias no processo de ensino-aprendizagem.
Leonardo defende que as crianças precisam ser capacitadas para lidar com a falta de segurança na internet. “Tem que ser esclarecido o que é crime e as atitudes que necessitam ser tomadas em relação a isso. A criança não consegue mensurar e ver a dimensão dos atos”, destaca.

Orientação sempre
            Joana Peixoto, doutora em Ciências da Educação pela Universidade Paris e especialista em Informática e Educação, acrescenta a necessidade de legislações mais rígidas, a exemplo do que é realizado em outros países, para evitar situações de exposição mercadológica e assédios.
De acordo com ela, muitos países já proíbem a associação da figura infantil em determinados produtos e se responsabilizam para evitar que isso ocorra.
Para Cláudia Helena dos Santos Araújo, mestre em educação, uma das soluções passa pela criação de políticas públicas com foco na escola já na Educação Infantil. Também são necessários critérios mais rígidos nas redes sociais, como solicitar a comprovação da idade do indivíduo, assim como usar os recursos da própria mídia para educar. "As crianças de hoje são curiosas e evoluídas. Portanto, um jogo que consiga estimular isso, com certeza, irá conquistá-las. Temos muito que avançar na criação de softwares educativos, que auxiliem nesse processo de desenvolvimento em todos os sentidos."

Crianças driblam controle
Apesar do esforço em proteger as crianças, o levantamento do Tic Kids online Brasil revelou que possuir contas em redes sociais é uma atividade disseminada entre o público infantil, muito embora a maioria deles determine que a idade mínima seja de 14 anos.
Segundo o relatório, 42% das crianças entre 9 e 10 anos possuem contas em redes sociais. Para a faixa etária de 11 e 12 anos, esse índice sobe para 71% e para quem tem 13 e 14 anos, chega a 80%. Ter mais de um perfil soma 27% do total. Cientes da proibição, mais da metade (57%) costuma mentir sobre a idade.
Outros dados apontados é que metade delas possui mais de 101 amigos nesses sites, onde diversas informações são publicadas pelos pequenos. Do total de entrevistados, 86% confessou compartilhar fotos que mostram seus rostos; 13% revelam seu endereço e 12% até o número do telefone.
E o mais grave é que nem sempre o contato é restrito à internet e aos conhecidos. Dentre as crianças de 9 a 10 anos, 5% afirmaram ter conversado com alguém que não conheciam pessoalmente. E quanto maior a idade, mais esse índice sobe: entre 11 e 16 anos, por exemplo, 23% contaram com desconhecidos. Dentre estes, 23% relataram ter encontrado com essas pessoas.

“Pais têm que educar”
Mãe de Gabriela e de Pedro dos San­tos Araújo, de 6 e 4 anos respectivamente, Cláudia Helena diz que procura orientar os fi­lhos, ainda pequenos, sobre como se comportar nas redes sociais ou quando estão navegando na internet.
Na opinião dela, é importante que as orientações e o acompanhamento sobre o uso das mídias aconteça desde cedo. “Não é necessário monitorar no sentido de vigiar. Tem que educar para que a criança compreenda o que pode ou não pode ser divulgado nas redes”, salienta.
A mestre também ressalta que muitas famílias não entendem o papel das mídias e a importância de alfabetizar os filhos para usá-las. Se­gundo ela, os próprios pais estimulam as crianças a expôr suas vidas íntimas e alguns sequer sabem o que elas estão fazendo ou vendo na TV. “O risco de você perder o seu fi­lho dentro da sua própria ca­sa é grande, e os pais têm dificuldade de entender o uso des­sas ferramentas.”
            A professora também aconselha que os pais não deixem seus filhos conectados o tempo todo. "Não é sau­dável e tão pouco salutar perder o processo de desenvolvimento e comprometer o en­vol­vimento e o diálogo com a família e os amigos. Há casos em que as crianças se fecham e não conseguem mais se socializar", esclarece.
            Outros conselhos são não permitir a abertura de contas nas redes sociais bem como regrar o tempo de uso e não instalar computadores e televisores nos quartos. "As crianças ainda não têm maturidade para saber o que pode publicar ou não, e com estas ferramentas nos quartos fica mais difícil fazer esse controle. Portanto, não é recomendável."

Números

Principais interesses dos usuários de 9 a 16 anos quando acessam a internet:

82% usaram a internet para trabalhos escolares;
71% dos pais afirmaram que os filhos utilizam a web com segurança;
68% visitaram um perfil/página de uma rede social;
66% assistiram vídeos;
56%das crianças e adolescentes que têm perfil em alguma rede social apresentam a conta aberta ou apenas parcialmente privada;
54% jogaram games com outras pessoas na internet;
54% usaram mensagens instantâneas com amigos/contatos;

Pesquisa feita com 1,6 mil crianças e adolescentes entre abril e julho de 2012

Atividades na internet de acordo com a assiduidade:

53% para acessar as redes sociais e enviar mensagens instantâneas
39% envia e-mails e faz postagens em sites
13% usa para realizar atividades escolares
                                                                                                      
Faixa etária pesquisada: de 9 a 16 anos


Fonte da pesquisa :TIC Kids Online Brasil feita pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic.br)


Monitoramento dos Pais na internet X Invasão de Privacidade ?

Nos últimos dias diversos casos de crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes foram noticiados pela mídia. Na maioria dos casos o monitoramento do uso da internet pelos próprios pais colaborou para a identificação do crime e do criminoso.
É dever dos pais educar os filhos, e esse princípio não deve ser negligenciado nas relações virtuais. Antigamente os pais queriam saber quem eram os amigos dos filhos, por onde andavam e o que faziam.
Nas atividades convencionais isso era muito mais fácil do que nas relações virtuais dos filhos. Hoje não perguntam “quem são seus amigos do Facebook”, “em quais sites você navega” ou com “quem conversa no chat?”.
Para alguns pode parecer ridículo, mas atitudes como essa podem evitar grandes dores de cabeça além de agressões físicas e morais aos filhos.
O monitoramento dos pais sobre os filhos não prejudica sua privacidade por razões como:
1. É dever legal dos pais educar os filhos. Dever não quer dizer que possuem somente o direito, mas a obrigação. Essa educação deve ser estendida ao mundo virtual. O Código Civil pátrio, registra em seu artigo nº 1.634 que:
Art. 1634. Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores:
I. dirigir-lhes a educação e criação.
2. Os pais respondem na esfera cível pelos atos praticados pelos filhos. Caso o adolescente venha a cometer um crime, como por exemplo, a difamação (Art. 139 do Código Penal), a vítima poderá buscar a penalização e desagravo pelo ato, contra os pais. Poderão assim responder criminalmente e serem responsabilizados também pela reparação civil. Os tutores e curadores assumem a mesma responsabilidade. Recorremos mais uma vez ao Código Civil, agora no artigo nº 932, sobre responsabilidade dos pais:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
I – os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II – o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
Com certeza mesmo para esse controle, que é dever dos pais. Existe um limite. A intimidade do filho deve ser preservada, e cada pai e mãe deve ter a consciência de saber identifica-la. O objetivo desse controle deve ser tão somente com o propósito de garantir a sua segurança, e não deve ser utilizado como forma de repreensão á sua individualidade.

Educação virtual
Os pais devem orientar seus filhos do mesmo modo que o fariam em relação ás atividades e relacionamentos convencionais. O diálogo deve preceder o uso consciente da internet. Algumas dicas que podem ajudar no uso correto da internet por crianças e adolescentes:
•Evite disponibilizar o uso do computador em local que não seja visível pelos pais. O computador na sala é melhor do que no quarto da criação.
•Crie regras de uso do computador. Existem softwares que podem lhe ajudar nessa tarefa, como limitando o acesso a sites de pornografia, delimitando horários de uso, etc.
•Ensine sobre o uso correto da internet também em celular e tablets. Um correto acompanhamento também desses equipamentos pode colaborar na segurança dos filhos.



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